sábado, 20 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
De um sonho

tem a luz que está a ser sonhada.
Nela, os habitantes vivem e morrem,
ouvindo só o som do mar distante.
Porém um dia, os habitantes saem
para o mar. A casa acorda
e não mais se recorda do seu sonho,
deixando entrar outro sol da realidade.
terça-feira, 16 de março de 2010
Álbum de Família

Princesa Desconhecida sem retrato

a Sophia de Mello Breyner
O custo da perfeição não tem idade
mas traz cansaço e vidas dobradas,
dizes,
para o tornozelo e o pescoço esguio
não foram sete dias, foram séculos
de história e um estilhaço no horizonte
para salvar da beleza o teu corpo
e o seu exílio, dizes,
e eu escrevo nas ondas com que criaste o mar,
a forma pura e límpida da búzio
por onde entram fadas, conchas ao entardecer.
Mas a princesa mora para lá do tempo
onde o ar é imóvel nos seus cabelos,
dizes
quantos escravos moldaram rosto a rosto
a simplicidade, quanto inútil for a morte
e a vida ajoelhada. Não fosse o mar
salpicar-te a face toda com palavras
não dirias pátria de voz cheia,
não terias acordado com um beijo de cravo
na lapela aberta do poema.
domingo, 14 de março de 2010

As mulheres são os lugares recuados
em que as mãos descobrem os filhos.
São lugares fundos, luminosos por dentro,
habitados por extensões espirituais,
porções parasitárias de semelhança
que se mantêm amarradas por ataduras
viscerais e que um dia, violentamente,
são entregues à luz.
poema: José Rui Teixeira
escultura: Karin Somers
Alice in wonderland
- Estás louca, desvairada, fora de ti. Mas sabes uma coisa? Todas as pessoas boas são loucas.
Alice in the Wonderland, Tim Burton
sábado, 13 de março de 2010

como direi a alegria ao mundo?
sexta-feira, 12 de março de 2010
A bailarina

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
poema: Cecília Meireles
fotografia: António Silva
quinta-feira, 11 de março de 2010
Quando à noite desfolho e trinco as rosas

É como se prendesse entre os meus dentes
todo o luar das noites transparentes,
todo o fulgor das tardes luminosas,
o vento bailador das primaveras,
a doçura amarga dos poentes,
e a exaltação de todas as esperas.
Quando à noite desfolho e trinco as rosas,
és tu a primavera que eu esperava,
a vida multiplicada e brilhante
em que é pleno e perfeito cada instante.
poema: Sophia de Mello Breyner Andresen
fotografia: Lúcia Letra
quarta-feira, 10 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Rufus Wainwright - Somewhere Over The Rainbow
Num lugar além do arco-íris
Existe uma terra de que eu ouvi falar
Uma vez numa canção de embalar
Num lugar além do arco-íris
Onde o céu é azul
E os sonhos que tu ousas sonhar
Realmente tornam-se realidade.
Um dia eu quis alcançar uma estrela
Onde os problemas se derretem como doces de limão
Num lugar bem acima do topo das chaminés
É onde me poderão encontrar.
Num lugar além do arco-íris
Pássaros azuis voam
Pássaros voam além do arco-íris
Porquê eles ... e eu não posso?
Então se os pequenos pássaros azuis voam
Além do arco-íris
Porquê... porque eu não posso?