sábado, 6 de março de 2010

Mafalda Veiga - Abraça-me bem


Cântico dos Cânticos



Levanta-te! Anda, vem daí,
ó minha bela amada!
Eis que o Inverno já passou,
a chuva parou e foi-se embora;
despontam as flores na terra,
chegou o tempo das canções,
e a voz da rola
já se ouve na nossa terra;
a figueira faz brotar os seus figos
e as vinhas floridas exalam perfume.
Levanta-te! Anda, vem daí,
ó minha bela amada!
Minha pomba, nas fendas do rochedo,
no escondido dos penhascos,
deixa-me ver o teu rosto,
deixa-me ouvir a tua voz.
Pois a tua voz é doce
e o teu rosto, encantador.

poema: Salomão
pintura: Ilda David

Rui Veloso - Porto Côvo


Portishead - Roads


Te Necessito


Aún no estoy preparado para perderte.
No estoy preparado para que me dejes solo.

Aún no estoy preparado para crecer
y aceptar que es natural,
para reconocer que todo tiene un principio
y tiene un final.

Aún no estoy preparado para no tenerte
y sólo recordarte.

Aún no estoy preparado para no poder oírte
o no poder hablarte,
no estoy preparado para que no me abraces
y para no poder abrazarte.

Aún te necesito y aún no estoy preparado
para caminar por el mundo preguntándome
por qué?

No estoy preparado hoy ni nunca lo estaré.

Te necesito.

poema: Pablo Neruda
fotografia: José de Almeida & Maria Flores

Dos milagres


O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo

poema: Mário Quintana
fotografia: José António

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Monstro - Capitão Bala


Um milhão de beijinhos



Era uma vez um mundo, lindo e radioso como um sol…

Nesse mundo, havia uma menina que vivia numa casinha feita de cores e alegria.

A menina chamava-se Maria e tinha um quarto repleto de brinquedos.

Um armário com muitos vestidos, como as princesas.

E um jardim, onde Maria balançava e voava alto, lado a lado com o seu amigo vento e sonhava…

Viviam-se tempos difíceis, e as riquezas de outrora desapareceram.

Um dia houve uma guerra, e o seu mundo tão bonito, perdeu brilho tornando-se sombrio e triste.

Apenas o coração de Maria se mantinha alegre, doce e colorido.

O seu jardim era o espelho do seu coração.

Um dia enquanto por lá passeava, a menina encontrou um pedacinho de papel prateado, feito de estrelas e pedaços de céu.

Maria teve então uma ideia… brilhante.

Embrulharia uma caixinha de fósforos, com o papel e ofereceria ao seu pai.

Assim pensou, assim o fez.

Talvez o presente amaciasse o coração do pai, agora, endurecido pela guerra.

Até…, talvez o pai voltasse a sorrir como dantes, pensou a menina.

Mas, o pai não ficou nada satisfeito!

- Não devias ter gasto dinheiro para comprar este papel prateado. Um papel tão especial deve ter custado um dinheirão! Tu não sabes que temos de poupar, para podermos comer?

O pai estava tão zangado, que não deixou a menina falar.

Abriu a caixa… a caixa está…

Maria tinha os olhos cheios de lágrimas, as quais lentamente rolavam pelas suas faces.

- Minha filha, tu nunca ouviste dizer, que quando se dá um presente a alguém, deve ter alguma coisa lá dentro?! – disse o pai.

- Mas a caixa não está vazia, porque antes de fechar…

- …eu soprei lá dentro um milhão de beijinhos?

O coração do pai que era tão pequenino, cresceu, cresceu imenso, tornando-se enorme e colorido.

Foi então a vez, do pai cobrir a menina de beijinhos de todas as cores e feitios.

Abraçaram-se com todo o carinho do mundo, num xi-coração muito apertado.

Tão apertado foi, que os seus corações permaneceram unidos para sempre.

texto e ilustração: Elsa Lé

O Tempo


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

poema: Mário Quintana
fotografia: Ana Rita Rodrigues

Se eu fosse um padre



Se eu fosse um padre,
eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

Catrin Finch


terça-feira, 2 de março de 2010

Abraço



Um dia apaixonei-me por uma letra que estava na mesma página que eu..., essa letra encontrava-se na palavra "Abraço". Eu e o "Abraço" apaixonámo-nos quando alguém leu alto as palavras onde vivíamos. Nesta altura soubemos o quanto queríamos viver juntos para sempre.

texto [excerto]: Rui Almeida Paiva
Ilustração: Raquel Marín

segunda-feira, 1 de março de 2010



hoje vou fugir contigo

vou levar-te a lugares que só eu sei


vou ensinar-te a subir às arvores

e a olhar o mundo inteiro lá de cima


vais aprender a reter a água

nas palmas das mãos


e talvez consigas à primeira

respirar o azul que o céu tem


e no fim vais perceber

que os dias são mais curtos

quando estamos juntos


ilustração: rachel caiano

Adele - Make You Feel My Love