sábado, 6 de março de 2010
Cântico dos Cânticos

ó minha bela amada!
Eis que o Inverno já passou,
a chuva parou e foi-se embora;
despontam as flores na terra,
chegou o tempo das canções,
e a voz da rola
já se ouve na nossa terra;
a figueira faz brotar os seus figos
e as vinhas floridas exalam perfume.
Levanta-te! Anda, vem daí,
ó minha bela amada!
Minha pomba, nas fendas do rochedo,
no escondido dos penhascos,
deixa-me ver o teu rosto,
deixa-me ouvir a tua voz.
Pois a tua voz é doce
e o teu rosto, encantador.
Te Necessito
Aún no estoy preparado para perderte.
No estoy preparado para que me dejes solo.
Aún no estoy preparado para crecer
y aceptar que es natural,
para reconocer que todo tiene un principio
y tiene un final.
Aún no estoy preparado para no tenerte
y sólo recordarte.
Aún no estoy preparado para no poder oírte
o no poder hablarte,
no estoy preparado para que no me abraces
y para no poder abrazarte.
Aún te necesito y aún no estoy preparado
para caminar por el mundo preguntándome
por qué?
No estoy preparado hoy ni nunca lo estaré.
Te necesito.
fotografia: José de Almeida & Maria Flores
Dos milagres
quinta-feira, 4 de março de 2010
Um milhão de beijinhos
Era uma vez um mundo, lindo e radioso como um sol…
Nesse mundo, havia uma menina que vivia numa casinha feita de cores e alegria.
A menina chamava-se Maria e tinha um quarto repleto de brinquedos.
Um armário com muitos vestidos, como as princesas.
E um jardim, onde Maria balançava e voava alto, lado a lado com o seu amigo vento e sonhava…
Viviam-se tempos difíceis, e as riquezas de outrora desapareceram.
Um dia houve uma guerra, e o seu mundo tão bonito, perdeu brilho tornando-se sombrio e triste.
Apenas o coração de Maria se mantinha alegre, doce e colorido.
O seu jardim era o espelho do seu coração.
Um dia enquanto por lá passeava, a menina encontrou um pedacinho de papel prateado, feito de estrelas e pedaços de céu.
Maria teve então uma ideia… brilhante.
Embrulharia uma caixinha de fósforos, com o papel e ofereceria ao seu pai.
Assim pensou, assim o fez.
Talvez o presente amaciasse o coração do pai, agora, endurecido pela guerra.
Até…, talvez o pai voltasse a sorrir como dantes, pensou a menina.
Mas, o pai não ficou nada satisfeito!
- Não devias ter gasto dinheiro para comprar este papel prateado. Um papel tão especial deve ter custado um dinheirão! Tu não sabes que temos de poupar, para podermos comer?
O pai estava tão zangado, que não deixou a menina falar.
Abriu a caixa… a caixa está…
Maria tinha os olhos cheios de lágrimas, as quais lentamente rolavam pelas suas faces.
- Minha filha, tu nunca ouviste dizer, que quando se dá um presente a alguém, deve ter alguma coisa lá dentro?! – disse o pai.
- Mas a caixa não está vazia, porque antes de fechar…
- …eu soprei lá dentro um milhão de beijinhos?
O coração do pai que era tão pequenino, cresceu, cresceu imenso, tornando-se enorme e colorido.
Foi então a vez, do pai cobrir a menina de beijinhos de todas as cores e feitios.
Abraçaram-se com todo o carinho do mundo, num xi-coração muito apertado.
Tão apertado foi, que os seus corações permaneceram unidos para sempre.
texto e ilustração: Elsa Lé
O Tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
poema: Mário Quintana
fotografia: Ana Rita Rodrigues
Se eu fosse um padre

eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!
fotografia: Geisa Cruvinel
terça-feira, 2 de março de 2010
Abraço

segunda-feira, 1 de março de 2010

hoje vou fugir contigo
vou levar-te a lugares que só eu sei
vou ensinar-te a subir às arvores
e a olhar o mundo inteiro lá de cima
vais aprender a reter a água
nas palmas das mãos
e talvez consigas à primeira
respirar o azul que o céu tem
e no fim vais perceber
que os dias são mais curtos
quando estamos juntos
